quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Lixo da casca de coco


Ao invés de gastar com a remoção do lixo da matéria-prima usada na AcquaCoco, o empresário ganha com a reciclagem do fruto, que é transformado em fibra e em pó de coco.


Após estudos em parceria com estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a empresa AcquaCoco Especializada no envasamento de água de coco, expandiu ao apostar na sustentabilidade. O resultado disto foi: mais mercado, mais dinheiro no bolso, mais lucro para a empresa e mais cuidado com o meio ambiente.
Diogo Gaspar, o proprietário da empresa AcquaCoco, destacou em uma entrevista para a Revista EcoNordeste que a  indústria descartava mensalmente 150 toneladas de casca do fruto. E cerca de  R$ 3 mil por mês para recolher o lixo. Por isso, preocupado com a quantidade de lixo que a empresa jogava fora e também com a degradação do meio ambiente, o empresário decidiu reciclar a casca de coco verde: “era um gasto desnecessário e encontrei uma solução sustentável. Ao invés de gastar, estou lucrando e cuidando da natureza”.

Faturando R$ 300 mil por mês e gerando 40 postos de trabalho, a AcquaCoco tem produção mensal atual em torno de 200 mil copinhos de água de coco e de 50 mil de sucos de acerola, cajá, goiaba, tangerina e maracujá, cada um vendido a R$ 1,20. A empresa investe ainda na produção de 500 kg de doce de coco, fabricado a partir da polpa do fruto. Sua aceitação positiva fez com que a empresa passasse a atender além do Rio Grande do Norte os mercados de Alagoas e Paraíba.
Jéssica Castro

Orgânicos ou tradicionais?


Após revisar 237 pesquisas, estudiosos da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, concluíram que o investimento em alimentos orgânicos pode não valer a pena. Eles indicaram que não identificaram, na maioria dos casos, diferenças significativas na concentração de vitaminas e afins.

O estudo apresentado é cheio de contradições. Por isso, abrindo mão delas um pouco um artigo recente indica que os alimentos cultivados de acordo com o sistema orgânico tendem a apresentar níveis superiores de fitoquímicos. E esses compostos bioativos têm ação antioxidante, ou seja, são capazes de combater radicais livres e, consequentemente, evitar males que vão desde câncer até doenças cardiovasculares.
No entanto, os pesticidas são desenvolvidos para atacar organismos vivos em geral. Portanto, não afetam apenas as pragas, a triste realidade é que também estamos sob sua mira. Isso é bastante plausível porque o vegetal sem agrotóxicos precisa acionar seu mecanismo natural de defesa o tempo inteiro para se proteger de seus inimigos. Esse processo, por sua vez, estimula a fabricação dos aclamados fitoquímicos. Na revisão americana, outro destaque ficou por conta da comparação entre os níveis de agrotóxicos encontrados nos alimentos orgânicos e nos convencionais. No geral, os primeiros se mostraram menos propensos à contaminação por pesticidas.
O perigo cresce quando a exposição a essas substâncias acontece dia após dia. Situação que, convenhamos, não é improvável de acontecer, é só basta pensar nas frutas do café da manhã, nas folhas do almoço, nos legumes da sopa servida no jantar e outros. Mesmo que haja estudos e contradições entre os nutricionistas a escolha é sua, aliás, nossa!


Meio Ambiente em pauta: filmes





Uma Verdade Inconveniente (filme) dirigido por Davis Guggenheim tem como protagonista Al Gore, Democrata e ex-vice-presidente durante a administração de Bill Clinton, entre 1993 e 2001.


É um documentário, onde Gore, atribuia constância de furacões, secas, enchentes, pragas e epidemias ao desequilíbrio ambiental, causado pelo excesso de dióxido de carbono na atmosfera terrestre.


O filme mostra o Democrata em suas palestras, onde expõem dados factuais de que o clima vem apresentando mudanças anormais de comportamento, propiciando o derretimento das geleiras das montanhas e das calotas polares e o aumento do nível dos oceanos.




Partindo para a linha ficção  apocalíptica O Dia em que a Terra Parou de Scott Derrickson, rodado em 2008 (trailer), apresenta  Klaatu (Keanu Reeves), um alienígena portando um ultimato: se os humanos não pararem de destruir o planeta a raça humana será eliminada.

 O filme de 2008 foi um “remake modificado” do filme rodado em 1951, realizado por Robert Wis.




Na linha catástrofes O Dia depois de Amanhã (trailer) parece ser as previsões de Al Gore, cinematograficamente exageradas. O Filme mostra mudanças repentinas no clima do planeta que desencadeiam o surgimento de super furacões.




Em Avatar (trailer) dirigido por James Cameron (que visitou a Amazônia brasileira para defender as causas indígenas) fica evidente a atuação da lógica do mercado no impacto do meio ambiente. Quando uma empresa resolve explorar recursos minerais em uma lua alienígena.

Luiz Carlos Bomfim

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ECOMUNAM - Eco Museu Natural do Mangue


Sara Sousa

       Um sonho que virou realidade para o bem de todos. O objetivo inicial do projeto ambientalista era criar um espaço para reunir objetos e ideias relacionadas ao Mangue, alertar a comunidade para a preservação do ecossistema. A construção do acervo é realizada aos poucos, através de doações. Os itens acomodados em modestas estantes improvisadas, são peças doadas ao Ecomunam, para engrandecer o seu trabalho de conscientização da população.“ Havia uma grande necessidade de educar para preservar, antes, as crianças brincavam de ‘estourar’ os cavalos marinhos no ouvido.  É esta a importância do projeto” Rusty Barreto, coordenador do projeto.
       O ecossistema do Mangue é um dos mais importantes e biodiverso de todos, no entanto, foi um dos mais devastados, devido o preconceito que as pessoas tinham com relação ao forte odor que exala. Por muitos anos as pessoas associavam o cheiro forte à doenças e impurezas, e optavam pelo aterramento dos manguezais. 
    Percebendo a riqueza escondida por baixo das raízes das plantas, o trabalho começou a ser desenvolvido. E já dura doze anos.
      Apesar de o Ecomunam estar oficialmente registrado como museu natural na secretaria do meio ambiente e no roteiro turístico da cidade, não recebe investimentos por parte dos órgãos públicos. Situação de verdadeiro descaso é como negar a importância do projeto, que resiste ao tempo com seu ‘trabalho de retalho’, mas com boa vontade, pessoas de bem e com o auxílio de um automóvel, o museu visita escolas, igrejas e comunidades carentes.  Este é mais um detalhe que torna o trabalho ainda mais lindo e respeitado, o automóvel em questão está deteriorado, e muitas pessoas precisam da visita do museu. A solução encontrada foi enviar cartas ao programa do Luciano Hulk, para a inscrição do carro no quadro ‘Lata Velha’.
    A visita técnica vai muito além de ser um encontro  educativo, é divertida também. Lá, ainda existe o projeto de confeccionar o maior caranguejo do Brasil, sua estrutura metálica está armada e as pinças do crustáceo estão guardadas esperando verbas pra o artista plástico dar continuidade ao trabalho, que visa não apenas o paisagismo do local, mas alertar para a diminuição do consumo do caranguejo, que já não se encontra em abundância no Estado, isso mesmo, o nosso caranguejo gostoso da quinta-feira vem de muito longe e mais da metade é desperdiçada no caminho devido às péssimas condições de armazenamento que são submetidos.
      Durante a trilha, somos incentivados a fazer a limpeza da praia de forma voluntária, levamos um saco plástico e juntamos os resíduos que estão soltos pelo caminho, durante a caminhada encontramos muitas sacolas de supermercado, latas de refrigerante e garrafas pet.
      No acervo existem diversas espécies de peixes e crustáceos, empalhados, ou em conserva. Um mine laboratório de amostras marinhas, vale a pena conhecer o que as profundezas do mar nos guarda e conhecer os danos que a ação do homem provoca ao meio ambiente. 

                                 
                                     
                                     
                                     
                                     
                                     
                                     
                                     
                                                     
                                                 
                                                       Fotos: Sara Sousa



Novo Sistema de Coleta de Lixo


Fortaleza é a 2ª cidade no País a implantar o sistema moderno de armazenamento de lixo

Sara Sousa

Equipamento sendo instalado em Fortaleza

Conteiner em São Paulo

      A cidade de Fortaleza se moderniza, a novidade da vez é a implantação de’ bigtainers’ subterrâneos para o armazenamento do lixo. A Capital cearense é a segunda cidade do país a usar a containerização subterrêna, o valor do investimento é de R$ 2,5 milhões. São Paulo já tem os primeiros containeres soterrados. Em Fortaleza, o projeto da administração da prefeita Luizianne Lins, prevê a implantação de 20 ecotaineres que deverão ser implantados em nove pontos da Avenida Beira-Mar, região que, segundo a Ecofor, produz 40 toneladas de lixo por dia. O Centro gera 60 toneladas diariamente, a Praça do Ferreira e a Praça Murilo Borges já tiveram os contêineres construídos, além delas, a Praça José de Alencar terá o equipamento instalado até o final do ano.
       O contêiner funciona da seguinte maneira, ele é instalado no subsolo e possui capacidade de armazenar até 1.100 litros em seu interior, na parte superior, ou seja, na calçada, as lixeiras ficam expostas para as pessoas depositarem os resíduos através de pequenas aberturas, quando o caminhão que faz a coleta do lixo for recolher os resíduos o equipamento possui um elevador que levanta o contêiner e o lixo poderá ser retirado pelos garis.
    O trabalho vem sendo realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza em parceria com a  Ecofor Ambiental. A segunda etapa do projeto, é a instalação do “ecotainer” na Praia de Iracema e Beira-Mar, bairros de grande demanda de lixo.
      As vantagens da obra são a praticidade na hora da coleta, e o fato de as vias públicas ganharem  mais espaço, pois aos poucos, os contêineres tradicionais serão removidos dos grandes centros urbanos. Além disso, o problema com o mau cheiro do lixo será minimizado e a obra em si não trás prejuízos ao meio ambiente, é uma construção responsável que vem dando certo em grandes cidades.


Lixo contamina Oceano Pacífico


 Sara Sousa


       Por acaso, o capitão Charles Moore viajava pelo Pacífico, entre o Havaí e a Califórnia, quando resolveu mudar a sua rota e testar um novo caminho, quando se deparou com o lixo boiando em alto mar. Uma quantidade exorbitante que parecia não ter fim. "Dia após dia não víamos uma única área onde não houvesse lixo.”
      Depois do achado, Charles Moore passou a militar para que o problema fosse solucionado, há anos ele tentar chamar atenção dos países responsáveis pelo lixo.




Como o lixo viaja até lá?

     O Oceano Pacífico possui o maior ecossistema do nosso planeta por ele passa o giro do pacífico que se comprime em movimentos circulares e no sentido horário sua correnteza compreende: a corrente do Pacífico Norte, a corrente da Califórnia, corrente Equatorial Norte ao Sul, e a corrente Kuroshio a oeste. O lixo é oriundo principalmente destas regiões.
Além deste fenômeno da natureza, que é o giro. Este não é o problema em questão, pois se não houvesse lixo, o giro seria uma corrente natural oriunda das correntezas e dos ventos, mas a questão é o fator humano que despeja o lixo no mar, diretamente ou indiretamente. 




       Cerca de 4 milhões de toneladas de plásticos estão boiando na ilha do lixo, o tamanho dessa sujeira toda equivale aos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais juntos.

      Estas toneladas de lixo geram prejuízos incalculáveis, prejudicando a reprodução dos peixes e interferindo diretamente na alimentação dos bichos, pois são muito inocentes e não sabem distinguir lixo de alimentação. Milhares de peixes e aves morrem por problemas de intoxicação alimentar ou asfixia por ingerir, principalmente plástico e que 27% são sacolas de supermercado, em uma análise feita com 660 peixes, foram encontrados cerca de 1.400 fragmentos de plástico, segundo revelou reportagem feita pelo Fantástico.
Foto divulgação




Os problemas socioambientais nas páginas de Realidade


Singularmente inovadora, excêntrica, literária, potencialmente popular e por fim, indesejada pela repressão insitucional no Brasil de 1970. A princípio impossível de existir na época em que saiu sua primeira edição, a revista Realidade, no auge autocrático da ditadura, ousou questionar o país dos generais. Ao decidir por, mesmo de maneira velada muitas vezes, desnudar o “progresso” - o milagre econômico, por exemplo -, Roberto Civita, o primeiro diretor da revista, e sua equipe de “extraordinários jornalistas”, como se acostumou a ilustrá-los, protagonizaram um capítulo histórico no inventário da imprensa brasileira. Por debater o feminismo, instar lideranças destoantes da política vigente, trazer à baila os questionamentos a respeito do aborto, das contradições católicas, mas, sobretudo, por realizar uma ampla investigação jornalística de nossas cidades quanto aos problemas socioambientais propiciados pela urbanização do país.

As reportagens, escritas sob a influência jornalístico-literária do movimento denominado New Journalism, iniciado na imprensa estadunidense, escarafunchavam os problemas urbanos em minúcias. Das paisagens bruscamente modificadas as condições de pobreza, Realidade revelou em suas páginas o começo de muitos dos problemas ambientais agravados – alguns já irreversíveis - em nossa época, por ocasião da negligência pública, mas também da ganância empresarial: o processo de higienização social que culminou nas proliferações de favelas no Sudeste, o cabresto firme dos coronéis, a manipular cidades interioranas no Nordeste brasileiro, até os desbravamentos irresponsáveis da Amazônia e do Pantanal, subsidiados pela ditadura e realizados por fazendeiros, a fim de trocar matas virgens por pastos queimados.

Há no trabalho uma corrente filosófica a qual se sublima nas produções: o eco-marxismo. Uma derivação do sistema de pensamento marxista quanto a co-existência da valência natureza na sociedade do capital, surgida na década de 1980.

Realidade não apresentou o tema meio ambiente como uma categoria da revista – Política, Ciência, Economia e etc -, mas sim feito o assunto a pautar toda uma edição. Matérias escolhidas sob a guisa de análise.

Para quem Realidade interessa, a revista pode ser classificada já como épica. Lançada pela Editora Abril em 1966 e findada em 1976, foi essa a grande influenciadora de mudanças no país. A partir da pauta, e no decorrer de toda a sua elaboração.

Atualmente mantém-se de pé um blog universitário, “abastecido” por uma equipe de alunos e professor interessados no passado de Realidade. A última postagem data de 2010: http://virourealidade.blogspot.com.br/

Em 1972, sai a edição especial de 288 páginas, com a manchete “Nossas Cidades”, uma investigação ampla sobre a urbanização do país e do mundo.



Jefferson Passos