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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Energia renovável, coragem escassa

O aquecimento global é um fato cada vez menos contestável, sentido na pele até pelos mais céticos. Até mesmo o próprio George W. Bush já reconheceu que os Estados Unidos da América estavam viciados em petróleo (um dos muitos responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global).

De certo modo chega a ser reconfortante ver que, aos poucos, os mais interessados na queima de combustíveis fosséis estejam se desgarrando das fontes de energia não renováveis. Exemplo interessante são as montadoras de automóveis.

Claro que esse processo de desapego ao petróleo é lento e demanda coragem e boa vontade. Mas já fazem 16 anos desde que a General Motors colocou o Ev1 nas ruas. E se a coragem foi pouca para seguir adiante com a produção de seu único veículo movido a eletricidade (todos os EV1 foram sumariamente recolhidos em 1999), a concorrência bancou sua cota de coragem para estabelecer de vez um nicho crescente na indústria automotiva: o dos carros híbridos.

Chevrolet EV1. Foi se embora tão jovem...
São chamados de híbridos os veículos que possuem um motor de combustão interna, normalmente a gasolina, e um motor eléctrico que permite reduzir o esforço do motor de combustão e assim reduzir os consumos e emissões. Se por um lado foi-se embora o Chevrolet EV1, acompanhado do Toyota Rav4 EV e Ford Ranger EV (todos movidos unicamente a energia eletrica, como a sigla EV denuncia), em seu lugar veio o Toyota Prius. O híbrido da montadora japonesa desembarcou nos Estados Unidos em 2001 e lá encontrou seu maior mercado. A GM, que provocara anos antes a eutanásia de seu EV1, respondeu com o Chevrolet Volt. Lançado como carro conceito no salão de Detroit em 2007, o híbrido da GM só começou a ser produzido em 2010.

Toyota RAV4 EV

Ford Ranger EV
Toyota Prius. O híbrido que conseguiu cair no gosto até do mercado mais viciado em petróleo do mundo

Chevrolet Volt. Promessa que levou quase 4 anos pra entrar em linha de produção.
Para nós, no Brasil, apenas um sonho distante. Para EUA e Europa, uma realidade. Nesses mercados o Volt e o Prius já tem a companhia do Honda Insight (híbrido) e do Nissan Leaf (elétrico). E mesmo os veículos híbridos, agora já saem de fábrica com plugues para carregar suas baterias direto na tomada (sem necessidade do trabalho do motor a combustão para tal). Hoje a maioria das montadoras tem pelo menos um carro conceito movido a eletricidade ou híbrido esperando entrar em linha de produção.
Honda Insight. Qualquer semelhança com o Toyota Prius...

Nissan Leaf. Garantia de emissão zero de gases.
Por ora, em terras Tupiniquins, temos somente o Ford Fusion híbrido e a eterna promessa de chegada do Toyota Prius. Será falta de incentivos fiscais ou de coragem mesmo? A resposta ainda vai demorar muito.
Ford Fusion Híbrido. 17 km por litro de gasolina.


Por Jáder de Oliveira

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Belo Monte: o cerne da polêmica

A maior obra em infraestrutura do governo Lula vem sendo discutida desde os governos militares e é o projeto que enfrenta maior resistência.

Especialistas discutem: fazer ou não fazer a usina hidrelétrica no Rio Xingu? Para quem defende a construção, o argumento é de que a energia gerada é renovável, portanto limpa. Seus detratores, as populações ribeirinhas, índios, entidades ambientais e especialistas, acusam que o local onde será construída a usina acarretará danos irreparáveis ao meio ambiente.

Para o governo, a obra é necessária para o abastecimento de energia elétrica nos próximos anos. De outro lado, especialistas alertam que os beneficios econômicos da obra não valeriam os riscos ambientais e sociais gerados. 

Crédito: sandromeira12.wordpress.com


Segundo Emilio La Rovere, professor do Programa de Planejamento Energético da COPPE - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, orgão da UFRJ, “Belo Monte tem uma importância para o suprimento de energia elétrica no Brasil, e, por isso, a construção é vital.”

A população brasileira tem consciência de que os impactos ambientais e socias gerados por Belo Monte serão significativos. O projeto governamental demorou 20 anos para sair do papel, mais rapidamente pressionado pela gestão atual, da presidente Dilma Roussef. Para os que são contra a construção de Belo Monte, resta cobrar do governo ou torcer para que os impactos sejam os menores possíveis e que a contra partida ambiental pela construção da usina (que pode chegar a 2,29 bilhoes de reais) seja realmente bem investida. 

Texto de José Glauber Peixoto Rocha

Fontes: g1.com; scienceblogs.com.br